Subindo ao Trem

 A vida é um constante transformar. E em alguns momentos é necessário tomarmos prumo e coragem. Avizinham-nos tormentas. Se temos que ir, é mais seguro ir de trem. Deixo-vos com um texto sobre infância.


Lembranças

-Mamãe, posso ir brincar no quintal? Perguntava o pequeno cabeçudo com olhar fantasioso, cheio de receios que sua mãe não lhe permitisse ganhar o passaporte ao mundo dos sonhos, que era o quintal. O quintal, para aqueles que não o conhece, poder-se-á passar por um pequeno pedaço de terra, vigiado por tristes cercas de madeira e arame farpado que não faziam mais que marcar os limites do terreno. Neste pequeno pedaço do mundo, minha imaginação e da minha irmã ganhavam em proporção e fantasia dimensões já esquecida por meu espírito adulto e corrompido por verdades tristes e dolorosas. Lembro com muita saudade do herói que fui. A Jaqueira nunca me ganhou em batalha; a Bananeira sempre perdia quando eu usava meus poderes de controlar tudo; o Coqueiro olhava tudo, testemunha dos meus atos e feitos heroicos. Recordo-me dos rios e mares que naveguei, das altas pesquisas cientificas realizadas sobre aquele terreiro. Explorações a terras desconhecidas e planetas extra-solares jamais imaginados por ninguém. Do medo infantil que tínhamos do entardecer e das histórias inventadas em nossas cabeças. Hoje tudo isso são lembranças gostosas, lembranças daquele quintal em que era prisioneiro e me sentia a criança mais livre do mundo.

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